Hoje, sábado, 17 de fevereiro de 2018

REFLEXÕES > MARCAS DA VIDA E MARCAS DO TEMPO

Como devemos tratar as lembranças doloridas que tivemos ao longo de nossa vida?



Há um tempo atras fiz uma cirurgia no rosto para retirar um câncer de pele. Algo simples, mas em lugar delicado.

As pessoas a minha volta,  dizem que quase não percebem a cicatriz, mas eu a vejo cada vez que olho no espelho.

Mas, apesar de que vejo, ela não me incomoda; apenas me faz lembrar que é uma marca. Uma marca da vida, uma marca do tempo.

Com as nossas lembranças de dores emocionais, também precisa ser assim.

Diante da lembrança delas,  é comum que agente tenha uma série de sensações e sentimentos de autopiedade e vitimização, e assim, as vezes sem dar conta, desenvolvamos um espírito pessimista que sempre enxerga o pior de tudo, e mais que isto, nos esfria o coração diante de qualquer alegria, com o espírito amargurado; Afinal, achamos que quem sofreu é “merecedor” da piedade dos outros sobre o próprio sofrimento.

Um espírito amargurado vicia!.. E com esse espírito a pessoa só lamenta de tudo. Permite, sem perceber, que o coração carregue as dores silenciosas passadas e ressentidas, que são a principal causa de muitos adoecimentos da mente e das somatizações. (Doenças emocionais que se manifestam no corpo).

Porém, é muito possível tratar estas mesmas dores apenas como marcas da vida, marcas do tempo, apenas com a mudança do olhar sobre elas. A lembrança permanecerá ali, mas apenas nos servirá como aprendizado que já não  sem doí ou incomoda.

O quanto de experiencia essa dor me trouxe?... O quanto eu pude aprender com ela?... O quanto cresci?... Posso evitar trilhar este mesmo caminho no futuro, depois de ter experimentado em mim que posso escolher outro caminho diferente do que me trouxe dor no passado.

Vivendo assim,  qualquer dor da vida ou do tempo muda de forma. Afinal: "Hoje mais forte, mais feliz quem sabe... Eu só levo a certeza de que nada sei". (Almir Sater)


As coisas e as circunstâncias, ou ainda as pessoas que nos incomodam, só devem ter para nós o tamanho que nós mesmos dermos a elas.

Podemos sim, olhar para estes acontecimentos dolorosos apenas como marcas da vida,  e marcas do tempo.


Que nosso olhos para as dores passadas não ceguem de autopiedade, mas enxerguem as experiências com gratidão.




Ana D´Araújo

 

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Ana D´Araújo

Psicoterapia | Ana D´Araújo 2011
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