Hoje, sexta-feira, 22 de setembro de 2017

REFLEXÕES > MARCAS DA VIDA E MARCAS DO TEMPO

Como devemos tratar as lembranças doloridas que tivemos ao longo de nossa vida?



Há pouco tempo atrás tive que fazer uma cirurgia no rosto para retirar um câncer de pele. Algo simples, mas em lugar delicado.

As pessoas a minha volta,  dizem que quase não percebem a cicatriz, mas eu a vejo cada vez que olho no espelho.

Mas, apesar de que a vejo, ela não me incomoda; apenas me faz lembrar que é uma marca. Uma marca da vida, uma marca do tempo.

Com as nossas lembranças de dores emocionais, também precisa ser assim.

Diante da lembrança delas,  é comum que em nós se instalem uma série de sensações e sentimentos de autopiedade e autovitimização, e assim, sem perceber, desenvolvamos um espírito pessimista, que sempre enxerga o lado pior de tudo, e mais que isto, nos esfria o coração diante de qualquer alegria, deixando-nos com o espírito amargurado; afinal, quem tanto sofreu é “merecedor” da piedade dos outros sobre o seu próprio sofrimento.

Sim, e um espírito amargurado vicia!...E com este espírito, a pessoa só lamenta. 

Uma pessoa assim já permitiu, sem perceber, que o coração carregue as dores silenciosas e amarguradas que são a principal causa, de muitos adoecimentos da mente e das somatizações. (Doenças emocionais que se manifestam no corpo).

Porém, é muito possível tratar estas mesmas dores apenas como marcas da vida, e marcas do tempo, apenas com a mudança do olhar sobre elas. A lembrança permanecerá ali, mas apenas nos servirá como aprendizado, sem doer ou incomodar.

O quanto de experiencia essa dor me trouxe?....o quanto eu pude aprender com ela?....o quanto cresci?...e o quanto posso evitar trilhar este mesmo caminho no futuro, depois de ter experimentado de perto e sentido que posso tomar uma nova atitude diante de uma circunstância parecida?

Quando conseguimos olhar por este lado, qualquer dor da vida ou do tempo que nos incomode, pode mudar de forma, se entendermos que o que se passou foi necessário e foi essencial para o crescimento.

As coisas e as circunstâncias, ou ainda as pessoas que nos incomodam, só devem ter para nós o tamanho que nós mesmos dermos a elas.

Podemos sim, olhar para estes acontecimentos dolorosos apenas como marcas da vida,  e marcas do tempo.


Que nosso olhar para as dores passadas, não se transforme no monstro da autopiedade, mas que seja um marco de um novo aprendizado, e de nova experiência, que mesmo dolorosa, noscapacita a prosseguir a vida com mais sabedoria, mais experiencia, e muito mais leveza com certeza.




Ana D´Araújo

 

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Ana D´Araújo

Psicoterapia | Ana D´Araújo 2011
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