Hoje, terça-feira, 25 de abril de 2017

PSICANALISANDO > CIÚME - INTUIÇÃO OU DELÍRIO?

Se você se julga por demasiado intuitivo, nunca se precipite em fazer julgamentos...




Porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. (provérbios de Salomão, o Sábio)


Interessante que no tempo do Rei Salomão, o Sábio, o ciúme já foi por ele mencionado como um sentimento consumidor, forte e impulsivo, que é comparado à dureza da dor da sepultura.

Primeiro Salomão fala do amor como o sentimento inevitável, inesperado, invencível, tal qual a morte se nos apresenta na existência. A morte, porém, é encerramento da existencia terrena, e a sepultura, é a realidade daqueles que ficam após o que viveu.


A sepultura é o sinônimo da saudade, lembrança, lamento ou dor daqueles que já não poderão trazer da morte aquele que se foi. Portanto, Salomão compara o ciúme, como a morte do amor, que mesmo sendo forte como a morte, terá o seu fim na dureza e aspereza do ciúme. Salomão ainda compara o ciúme com brasas de fogo e veementes labaredas. Figura que retrata bem o ciúme como algo consumidor, ardente, impulsivo, e na maioria das vezes incontrolável, ou difícil de deter.

Pessoas costumam dizer, que uma pitada de ciúme, adoça o tempero do Amor. Outros ainda dizem com orgulho, que sentem um ciúme controlado e moderado que significa apenas que amam e desejam proteger o objeto do seu amor. “Estou apenas zelando por aquilo que conquistei”, é o que dizem.

A psiquiatria analisa o ciúme exagerado, como uma patologia, porém afirma que a linha divisória entre a normalidade e o exagero é quase imperceptível, ou relativa, pois a imaginação, a crença, a fantasia e a certeza, podem se misturar, relativizando então a intuição real e o delírio Patológico.

Além disto, a psiquiatria relaciona o ciúme forte ou exagerado, como uma conseqüência obsessiva de transtornos emocionais e compulsivos também, que advém dos resultado de vivências aflitivas ao longo da vida.

Algumas pessoas me falam muito sobre o ciúme intuitivo. Que é aquele ciúme que acontece sempre no campo da subjetividade, sem que o parceiro dê “motivo aparente”, ou provas de sua infidelidade, mas mesmo assim, a outra pessoa “sente” ou “pressente” que algo estranho está acontecendo, apesar das negações constantes de que ali naquele caso existam traições. O ciúme intuitivo, na maioria das vezes tem um fundo de verdade. Mas não se poderia generalizar, pois intuições são falíveis e nunca poderiam ser absolutas. Até o melhor intuitivo irá falhar nas suas percepções e poderá ser injusto.

Eu já tive intuições em momentos diferentes da minha vida, que foram assustadoras, por serem tão verdadeiras. E até por serem verdadeiras, suscitaram em mim, em outras ocasiões,  intuições delirantes também, o que acontece como consequência de já ter intuído tantas vezes corretamente.

Você simplesmente intui e por saber que muitas vezes já intuiu aquilo que era verdade, acredita que todos os “insights” intuitivos, sejam verdadeiros também. E este é um caminho perigoso.

No caso do ciúme intuitivo, aquele que intui, deve ter sempre a consciência de que intuições são sensações, e por mais fortes que sejam nunca poderão ser absolutizadas, como falamos antes.

Já o ciúme delirante é aquele que vê tudo distorcido o tempo todo. Todas as situações são suspeitas e potencialmente ameaçadoras. O mais impressionante no ciúme delirante, é a capacidade de criatividade que se instala na mente daquele que delira. Enormes histórias são fantasiadas, e o pior, acreditadas. Eu já vi pessoas romperem relacionamentos bons, por causa do ciúme delirante, pois se tornou insuportável prosseguir vivendo junto com o parceiro ou parceira que delira dia e noite as mais criativas histórias e fantasias a seu respeito, sem poderem se defender daquele que delira sem fundamento.

Pessoas que já passaram por situações traumatizantes de traição, são mais tendenciosas a serem vítimas do ciúme delirante. O medo que o momento angustiante da descoberta da traição se repita, faz com que elas entrem na síndrome frenética da busca da “verdade” como evitação do erro, mas o fator motivador é sempre o mesmo: o medo de se sentir novamente enganadas, ludibriadas, traídas.

Assim a vida passa a ser a uma corrida constante para a evitação da dor, como se a pessoa tivesse o poder de evitar ser traída novamente, apenas porque está de olhos atentos a qualquer mínimo sinal. É um reflexo. Neste caso, há muito sofrimento tanto por parte do que "suspeita", como do "suspeito". É necessário que haja uma intervenção de ajuda e auxílio psicológico para quem sofre desse mal... "refluxo de traíção".

Nem sempre isto significa que a pessoa sofreu uma traição conjugal direta, mas, muitas vezes, ela passou a vida vendo a mãe sendo traída, ou o pai, ou alguém próximo a ela.

No entanto, na linha da existência, qualquer tipo de ciúme que prejudique a relação a dois, é sentimento que maltrata tanto aquele que o sente, como aquele que aparentemente o provoca, principalmente quando não precede um motivo real.

Se você percebe que é vítima do ciúme delirante, é importante que entenda o motivo causador, ou que evento e circunstancia marcaram sua mente e alma, a ponto de deixarem sequelas do trauma, de maneira recorrente, nas suas relações afetivas.
Será impossível voltar a se relacionar em paz, sem tornar sua vida. e a do seu parceiro(a), ou parceira um inferno.

Se você se julga por demasiado intuitivo, nunca se precipite em fazer julgamentos, antes que sua intuição seja realmente comprovada como real e não como delírio.


Ana D´Araújo


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